sexta-feira, 18 de maio de 2018

Coleta da Solidariedade da CF 2018 beneficia Pastoral Carcerária na Diocese de Mossoró





O Bispo Diocesano Dom Mariano Manzana repassou para a Pastoral  Carcerária, na manhã dessa quinta-feira, dia 17,  o cheque de R$ 28.555,85, fruto da “Coleta da Solidariedade” da Campanha da Fraternidade 2018, que ocorre todos os anos no Domingo de Ramos. A entrega do cheque ocorreu durante uma coletiva de imprensa, às 10h, no auditório da Cúria Diocesana, em Mossoró/RN.      
Dom Mariano Manzana mostrou aos presentes, padres, imprensa e representantes das pastorais e comunidades o valor arrecadado pelas paróquias:
   R$ 57.111,70 - total
R$ 22.844,68 - repasse para a CNBB ( 40% do total)
R$ 28.555,85 -  repasse para o Lar da Criança Pobre (Pastoral Carcerária)- 50% do valor total   
R$   5.711,17  - repasse para o Regional Nordeste II ( 10% do total)

A coordenadora do Lar da Criança Pobre, que atua há 38 anos em Mossoró, Irmã Hellen, agradeceu e chamou a atenção para a situação difícil dos encarcerados, suas famílias, muitas vezes desestruturadas, a falta de oportunidade quando recebem a liberdade, muitos dos encarcerados são vistos como o lixo da sociedade, e o papel especial da Pastoral Carcerária, que busca, em meio a todo esse cenário, levar conforto e luz através das visitas dos membros  e da própria Palavra de Deus.  
Dom Mariano Manzana agradeceu a todos os fiéis que participaram da Coleta da Solidariedade 2018, que simboliza partilha, solidariedade e amor. Ele lembrou  que, à  luz do Documento de Aparecida, o trabalho da Pastoral Carcerária é ser Igreja nos cárceres. Como Deus visitou o seu povo, como Jesus fez da visita uma de suas atividades missionárias, a pastoral visita para ir ao encontro de Cristo encarcerado (Eu estava preso e vocês foram me visitar – Mateus 25).

segunda-feira, 30 de abril de 2018

NOTA DE SOLIDARIEDADE

“O SENHOR já nos mostrou o que é bom, ele já disse o que exige de nós. O que ele quer é que façamos o que é direito, que amemos uns aos outros com dedicação e que vivamos em humilde obediência ao nosso Deus.” (Miquéias, 6, 8).
                        Há mais de dois mil anos, o Filho de Deus, Jesus Cristo, deu a própria vida para nos libertar de todo pecado. Quis, com o gesto, que tivéssemos um renascimento na vida terrena para que consigamos um bom lugar na vida eterna, ou que para que tenhamos vida eterna. Pretendeu Jesus, ao se deixar crucificar, que melhorássemos enquanto filhos e filhas de Deus. Infelizmente, porém, o gesto mais nobre e ao mesmo tempo mais doloroso de Jesus Cristo em favor da humanidade parece não ter tocado ainda os corações de muitos, que inclusive se dizem cristãos ou um dia se disseram cristãos.
                        Nesses dias, o nosso pároco, líder espiritual da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, Padre Américo Leite de Sá Neto, foi vítima de ataques e ofensas dirigidos por algumas pessoas, através das redes sociais da internet, uma ferramenta que deveria servir para a difusão de conhecimentos e bons valores, mas que, ao contrário, tem sido arma usada por quem se acha no direito de agredir, achincalhar, desmoralizar e ofender pessoas de bem.
                        Ao Padre Américo, foram dirigidos adjetivos desrespeitosos e ofensivos, tais como padreco, forasteiro, ditador, cometedor de abuso de autoridade, miliciano, capitalista, e outros termos e expressões que, em respeito às famílias e aos bons costumes, não iremos mencionar, mas que a comunidade sabe quais foram, porque enorme foi a propagação das ofensas ao nosso pároco.
                        Tantas agressões, a quem só faz o bem, evangeliza e propaga a Palavra de Deus, revelam que os autores dessas ofensas são pessoas sem educação, desrespeitosas, sem sentimentos de verdadeiros cristãos e de enorme pequenez humana.
                        No entanto, graças a Deus, como toda semente jogada em campo fértil produz árvores e frutos, a missão sacerdotal do Padre Américo Leite lhe rendeu a nossa gratidão, o nosso respeito e o reconhecimento por seu trabalho. E é justamente em nome disso que estamos aqui, dando sequência à campanha de solidariedade #SOUAFAVOR DO PADRE que também pela internet foi iniciada por muitos fiéis cristãos. Espontaneamente, por dever de justiça, nesse instante apresentamos essa NOTA DE SOLIDARIEDADE ao nosso pároco, que também é o Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, ou Santuário do Lima.
                        Queremos dizer, com isso, que o Padre Américo Leite não está só. Estamos com ele, juntos, solidários, unidos, sem temer um só ataque além dos que já vieram, sem arredar o pé, sem deixar de dar as mãos, porque estender as mãos tem sido também um ato do sacerdote para com a comunidade cristã-católica da Paróquia de Nossa Senhora das Dores.
                        Não pretendemos dar combustão a uma guerra de ódio que não foi iniciada pelo pároco, nem por nós. Nem queremos essa guerra, pois somos cristãos e ela não nos interessa. Queremos apenas dizer a Padre Américo: siga em frente com suas ações pastorais, com seu belíssimo trabalho, pois nós, ovelhas do imenso rebanho do qual o senhor é o pastor, estamos ao seu lado.
                        Ao contrário do que foi dito nas ofensas, Padre Américo Leite não é um padreco. É um líder espiritual nato, hábil, preparado para a missão. É um grande teólogo e um admirável pregador da Palavra de Deus. Ele nunca disse, nem se vangloria, mas além de formado em Teologia, é também formado em Filosofia e atualmente cursa Psicologia. É ainda professor, e como tal já lecionou no Colégio e Curso Desafio e no Colégio Maria Tereza, em Recife-PE. Atualmente dá aulas na Escola Municipal Francisco Francelino de Moura, em Patu, e no Instituto Superior de Teologia Aplicada. De padreco ele está longe de ser. É um sacerdote de mão cheia, sempre acompanhado do Espírito Santo e da presença de Deus, além de ser também um educador.
                        Também não lhe cabe chamar de forasteiro. Como sacerdote e para desempenhar a sua missão, ele teve que deixar a sua casa e a sua família para pregar o Evangelho mundo afora, adotando como casas os lugares para onde é enviado e como famílias as comunidades que a Igreja lhe envia para pastorear os rebanhos. “Vem e segue-me”, disse Jesus Cristo. Assim fez e faz o Padre Américo: vai aonde é necessário levar o Evangelho; segue a Jesus Cristo onde se faça indispensável a sua presença como padre, evangelizador, líder espiritual.
                        Diferentemente de um ditador e de alguém que comete abuso de autoridade, como foi dito por seus agressores, Padre Américo é uma autoridade eclesiástica das mais democráticas que conhecemos. É sempre aberto ao diálogo. Mas não abre mão da manutenção das boas e necessárias regras no dia a dia da Paróquia de Nossa Senhora das Dores e do Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis. Mantém a essência da Igreja Matriz, das Capelas da Paróquia e do Santuário do Lima como lugares santos, de oração, de exercício da fé, de louvor a Deus. Nesses lugares, não admite a libertinagem, o desrespeito, a exploração vergonhosa de seus espaços, como defendem aqueles que o atacam. E, assim agindo, Padre Américo só aumenta o respeito que temos por ele, porque também pensamos e defendemos que esses lugares devem ser de fato palcos de oração, e não de depredação dos seus valores.
                        Padre Américo também não é chefe de milícia, como foi dito irresponsavelmente por alguém. Na proteção ao Santuário do Lima, o padre conta com o apoio e o trabalho voluntário de algumas pessoas, que não constituem uma milícia. E aqui se reconheça publicamente o trabalho voluntário de KIVO e a ação vigilante das Polícias Civil e Militar de Patu, que ajudam a manter a ordem e a paz naquele lugar sagrado.
                        Também adjetivaram o nosso pároco de capitalista, dizendo seus algozes que ele só gosta de dinheiro. Quem diz isso, pouco ou quase nunca frequenta e Igreja, seja a Matriz, seja alguma daqueles do Santuário do Lima. Desconhece a realidade e o trabalho gigantesco realizado por Padre Américo.
                        Quem diz isso, também desconhece a Bíblia Sagrada, que em diversas passagens nos manda devolver a Deus um pouco do muito que Ele nos dá, que é dízimo. Em nossa Igreja Católica, ninguém é obrigado a contribuir financeiramente na forma de dízimo, nem nas muitas campanhas realizadas em prol da Paróquia ou do Santuário do Lima. Todas as contribuições de paroquianos são voluntárias, espontâneas, feitas de coração.
                        Sozinho, sem a colaboração dos fiéis, Padre Américo Leite não teria como realizar tantas obras e tantas melhorias na Paróquia de Nossa Senhora das Dores e no Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, que, diga-se de passagem, estão cada vez melhores, mais bonitos, mais agradáveis aos olhos de Deus.
                        Se gastamos tanto nas reformas que fazemos em nossos lares, por que não podemos doar um pouco para também melhorarmos a Casa do Senhor?
                        Para si, o Padre Américo nada pede. Para a comunidade cristã-católica, que se utiliza dos benefícios feitos na Igreja Matriz, nas Capelas da Paróquia e no Santuário do Lima, ele sempre roga pela ajuda dos fiéis, que, repita-se, contribuem voluntariamente, imbuídos da certeza de que os recursos serão – como sempre são – muito bem aplicados.
                        Nesse sentido, destacamos que desde que assumiu a Paróquia de Patu, em 28 de abril de 2013, e desde que se tornou Reitor do Santuário do Lima, em 09 de dezembro de 2015, Padre Américo Leite tem trabalhado incansavelmente em prol da Paróquia, das suas Capelas e do próprio Santuário.
                        E não são apenas obras físicas. Do contrário, as ações de evangelização estão sempre em primeiro lugar. Mas a melhoria física dos lugares sagrados também se faz necessária. Aliás, desde os tempos em que os hebreus carregavam a Arca da Sagrada  Aliança, sempre houve um cuidado especial com as instalações da Casa de Deus. Quando se fixaram e construíram Templos, os hebreus lhes destinaram especial atenção, porque a Casa de Deus não pode ser mal cuidada ou relegada a um segundo plano.
                        À frente da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, Padre Américo criou o Movimento Eucarístico Jovem – MEJ; tem realizado grandes Festas da nossa Padroeira; e sempre apoia os movimentos e ações das muitas pastorais que atuam na Paróquia.
                        Como benefícios e melhorias para a Paróquia, e não para si, Padre Américo, com a ajuda indispensável e voluntária dos paroquianos, realizou diversas ações para a Igreja Matriz, dentre as quais destacamos: aquisição de um novo carro para servir à Paróquia; restauração dos vitrais da Igreja Matriz; reforma completa de todo o presbitério; pintura completa da Igreja; restauração das imagens sacras; construção de banheiros e cozinha no salão paroquial; reforma completa da Casa Paroquial; aquisição de uma nova bancada; e aquisição de um novo e moderno serviço de som para a Igreja.
                        As Capelas que também compõem a Paróquia de Nossa Senhora das Dores também recebem a atenção do pároco. Nesse sentido, ele coordenou os trabalhos de reforma das Capelas situadas na Zona Rural de Patu e ficou à frente da ampla reforma da Capela de Nossa Senhora das Graças, em Messias Targino, onde houve a aquisição de um novo presbitério, a pintura completa da Igreja e a troca de bancos.
                        No Santuário do Lima, o trabalho de Padre Américo possibilitou a pintura das Igrejas e a conclusão da reforma da Casa dos Padres, além de outras melhorias na estrutura física do lugar.
                        Habitualmente, Padre Américo presta contas aos fiéis de suas ações, mostrando sempre transparência na condução da Paróquia e do Santuário. E, como ele sempre diz, quando um dia ele tiver que sair, todos os benefícios feitos ficarão na Paróquia e no Santuário, pois não são realizados para ele, mas para os paroquianos e romeiros.
                        Os ataques e as agressões sofridos por Padre Américo não se justificam. Motivam-se na arrogância de alguns e no desejo de libertinagem de outros, que acham que a bagunça e a desordem deveriam imperar no Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, que é uma propriedade privada da Igreja, além de ser, repita-se, um lugar de oração e louvor a Deus.
                        Uns poucos pretendem que o Santuário do Lima seja lugar de ingestão de bebidas alcóolicas, de direção de veículos automotores por pessoas embriagadas, de cenários para fotografias de nudez completa. Esquecem esses poucos que o Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis é um dos pontos de romaria mais visitados do Nordeste brasileiro; esquecem que os romeiros que para lá se dirigem não buscam a diversão mundana, já ofertada em outros lugares, mas ali vão em busca de paz, religiosidade, oração a Deus.
                        Alegam, infundadamente, que o Padre Américo prejudica o turismo de Patu porque proíbe o banho na barragem e nas bicas da área do Santuário do Lima. Quanta inverdade! Essas proibições, ao contrário, valorizam ainda mais o Santuário enquanto lugar de turismo religioso, que há décadas torna o Município de Patu um dos lugares mais conhecidos de todo o Nordeste brasileiro.
                        A promiscuidade, a bebedeira desenfreada e a luxúria humana não podem jamais ser admitidas no Santuário do Lima. Isso, sim, prejudicaria a sua imagem, como já a prejudicaram no passado, quando umas poucas pessoas achavam que podiam fazer tudo nas terras do Santuário.
                        Em Santa Cruz-RN, onde já o Santuário de Santa Rita, existe uma Lei Municipal que proíbe a venda de bebidas alcóolicas nas imediações do lugar, para que se preserve a natureza sagrada dele.
                        Se qualquer um de nós invadisse a casa de quem agora ataca gratuitamente o Padre Américo e nela pretendesse fazer o que eles desejam realizar no Santuário do Lima, seríamos no mínimo expulsos de lá, se não saíssemos presos pela Polícia.
                        Infelizmente, é essa a essência da motivação dessa campanha agressiva realizada por umas poucas pessoas contra nosso pároco e Reitor do Santuário do Lima. É uma motivação pequena, injusta, desarrazoada, incabível, imoral até.
                        Mas o Padre Américo não está nem ficará só. Como cristãos, temos a obrigação de estar ao seu lado, adotando um posicionamento firme de cristão. Sabemos que, como ser humano, ele tem as suas falhas, como nós também temos as nossas. Mas, como líder espiritual e pastor do imenso rebanho de que cuida com tanto carinho, ele tem agido como pessoa de Deus, com correção e com compromisso à sua missão sacerdotal.
                        Fique tranquilo, Padre Américo, pois Deus está contigo e nós estamos ao seu lado. As pessoas que covardemente lhe atacam pela internet representam pouco diante do grande número de paroquianos que lhe apoiam. A imensa maioria da comunidade paroquiana lhe dá os ombros e as mãos amigas. Sinta-se abraçado por cada um de nós, e receba de nós a mais profunda solidariedade. Siga em frente. Mantenha as suas ações pastorais. Prossiga na sua difícil mas gratificante missão sacerdotal. Faça as campanhas que entender necessárias para a manutenção da Paróquia, das suas Capelas e do Santuário do Lima. Não mude em nada o seu agir. Não fique refém de uns poucos que acham que têm o direito de lhe agredir com ofensas, mentidas e palavras de baixo calão.
                        Advertimos, no entanto, que não enveredaremos pelas trincheiras de uma guerra de palavras. Não. Desde já levantamos a bandeira da paz, porque somos cristãos e devemos nos comportar como tais.
                        Assim como o Padre Américo certamente fará, precisamos perdoar as pessoas que denigrem e ferem a imagem e a honra de nosso pároco. Quem sabe não sejam essas pessoas aquelas ovelhas fora do rebanho, que precisam ser recuperadas pelo bom pastor!
                        Para finalizar, vamos nos comportar como está recomendado em Efésios, 6, 14: “Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça”.
                        Patu-RN, 28 de abril de 2018.

AS PASTORAIS E OS MOVIMENTOS DE ATUAÇÃO NA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DAS DORES

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

SOBRE A PRIMEIRA LEITURA DO 2 DOMINGO DO TEMPO COMUM


A Liturgia da Palavra do segundo domingo do tempo comum do ano B, como hoje, é uma das mais ricas de todo o ano! Aqui, compartilho uma pequena observação a respeito da primeira leitura, o relato da vocação de Samuel (1Sm 3,3b-10.19).

Samuel morava no templo, passava dia e noite na casa do Senhor: “Samuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus” (1 Sm 3,3b). Certamente, ele participava cotidianamente dos ofícios litúrgicos, conhecia todos utensílios sagrados para o culto, deveria saber de memória os pormenores do ritual, as rubricas e prescrições. No entanto, “Samuel ainda não conhecia o Senhor” (1 Sm 3,7a), por isso, não reconheceu que a voz que lhe chamava era de Deus.

Resumindo: Samuel era um homem do culto, mas não conhecia a voz (palavra) de Deus. Impossível não associar esse texto às circunstâncias atuais, com tantas experiências estéreis de ritualismo, devocionismo, sem conhecimento (experiência) de Deus por falta de contato com a sua Palavra. Não basta estar no templo, frequentar o culto, praticar ritos e conhecer objetos litúrgicos sem abertura à Palavra de Deus.

(Pe. Francisco Cornelio, Mossoró-RN, 14/01/2018)

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A religião da Palavra

No próximo domingo, dia 24, celebraremos o dia nacional da Bíblia, dedicado a despertar e promover entre os fiéis o conhecimento e o amor dos Livros Sagrados, a Palavra de Deus escrita, redigida sob a moção do Divino Espírito Santo, motivando-os para sua leitura cotidiana, atenta e piedosa e, ao mesmo tempo, premunindo-os contra os erros correntes com relação à Bíblia mal interpretada.
“Na Igreja, veneramos extremamente as Sagradas Escrituras, apesar da fé cristã não ser uma ‘religião do Livro’: o cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’, não de ‘uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’” (Verbum Domini – Bento XVI -, 7)
É de São Jerônimo, o grande tradutor dos Livros Santos, a célebre frase: “Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”. Portanto, o conhecimento e o amor às Escrituras decorrem do conhecimento e do amor que todos devemos a Nosso Senhor.
O ponto central da Bíblia, convergência de todas as profecias, é Jesus Cristo. O Antigo Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu Reino. “O Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo” (Santo Agostinho).
Dizemos que a Bíblia é um livro divino e humano: inspirada por Deus, mas escrita por homens, por Deus movidos e assistidos enquanto escreviam.
A Bíblia não é um livro só, mas um conjunto de 73 livros, redigidos por autores diferentes em épocas, línguas, estilos e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos. Sua unidade se deve ao fato de terem sido todos eles inspirados por Deus, seu autor principal e garantia da sua inerrância.
Mas a Bíblia não é um livro de ciências humanas. Por isso a Igreja Católica reprova a leitura fundamentalista da Bíblia, que teve sua origem na época da Reforma Protestante e que pretende dar a ela uma interpretação literal em todos os seus detalhes, o que não é correto.
Além disso, a Bíblia não é um livro fácil de ser lido e interpretado. São Pedro, falando das Epístolas de São Paulo, nos diz que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (II Pd 3, 16).
Por isso, o mesmo São Pedro nos adverte: “Sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2Pd 1, 20-21).  Assim, o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita (a Bíblia Sagrada) ou transmitida oralmente (a Sagrada Tradição) foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo, que disse aos Apóstolos e seus sucessores “até a consumação dos séculos”: “Ide e ensinai a todos os povos tudo o que vos ensinei… quem vos ouve a mim ouve”.
 Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney